RESENHA: X-Men Origens: Wolverine

Mais uma vez: HA-HA!

Mais uma vez: HA-HA!

Depois de tretas nos bastidores, trailers promissores, refilmagens de última hora e o vazamento da cópia de serviço na internet, Wolverine finalmente chega aos cinemas. Valeu à pena a espera?

Pra resumir em uma palavra: não.

Não sou o maior fã do Wolverine, como meu constante uso da imagem do Hulk arregaçando-o em dois pode indicar. Acho ele ridiculamente superestimado, superexposto a um grau que chega a ser criminoso, sem falar que, por ter tantos fãs, é overpower pra caralho. Então já fui com certa antipatia, admito. Mas nada me preparou para o tédio nauseante que se seguiu.

O longa passa por várias fases do passado do carcaju canadense, criando diversas versões for dummies de histórias clássicas das HQs, mas nunca faz questão de exibir qualquer tipo de desenvolvimento em seus personagens. Do início ao fim, o Logan deste filme é o mesmíssimo Wolverine-galã que protagonizou X-Men 3. Não há sinais de qualquer berzerker rage como exibido em X2 ou do brigão do bar em sua ótima cena inicial no primeiro filme. Aqui, Logan é o herói da garotada. O que, imagino, era a idéia.

Em detrimento aos personagens, X-Men Origens: Wolverine sempre parece dar maior importância a coisas inconseqüentes. Pra que eu preciso saber onde ele arranjou sua jaqueta? Boa pergunta. E dá pra alguém me explicar por que era necessária aquela ridícula luta com o Blob?

Aqui, as discussões filosóficas e metáforas ao mundo em que vivemos (ou seja, tudo aquilo que elevava os filmes anteriores) estão totalmente ausentes, sobrando apenas uma batida história de vingança (que não deve nada a filmes do Steven Seagal) e repleta de clichês. E repleta MESMO. O diretor Gavin Hood não tem sequer um pentelésimo de estilo original, apelando para cenas “clássicas” como o rastro de gasolina que causa uma explosão ao fundo, enquanto o herói anda em direção à câmera. Ou as três vezes que Logan olha para cima e grita um sofrido NOOOOOOO enquanto a câmera se afasta. Achei que isso já tinha se solidificado como uma piada quando Darth Vader fez isso em A Vingança dos Sith.

Então, pelo visto, a única coisa que poderia salvar esse filme seriam as cenas de ação, que, mesmo sem razão de ser, poderiam ao menos serem divertidas a ponto de fazer de Wolverine um filme “babacana”, no melhor estilo Serpentes À Bordo e Transformers. Mas nem isso. O que dizer da pancadaria entre Gambit (que pelo visto ganhou o poder de se teleportar, surgindo no topo de um prédio dois segundos depois de ser nocauteado) e Logan, que corta uma escada com suas garras para alcançar o cajun, em uma cena digna de Tom & Jerry?

Realmente, não há sequer uma cena memorável. A fuga da Arma X, que, teoricamente, deveria ter sido o clímax, aparece no meio do filme, sem uma gota de sangue. O pequeno flashback em X2 mostra uma cena bastante diferente, e é bem mais interessante.

Aliás, tai uma outra falha do filme: como uma ligação ao primeiro filme, não presta pra nada. A linha do tempo é completamente confusa. O filme não parece se passar em nenhuma década específica. Há um jovem Ciclope, que poderia ser uma dica de quando diabos esse filme se passa. Mas ao mesmo tempo há computadores avançados ligados à mente do Arma XI (já falo dessa aberração) com comandos digitados, ao melhor estilo DOS. É completamente atemporal, e não de uma forma classuda, como os Batmans de Tim Burton.

Chegando no final do filme, os roteiristas se tocam de que esqueceram que o Wolvie tem amnésia. E o que se seque é o pior deus ex machina de última hora desde o mordomo dos Osborn em Homem-Aranha 3. Você sabe do que estou falando: a bala mágica de adamantium que acerta Wolverine exatamente no ponto que lhe removeriam as memórias. Putz, o general Striker tem mira melhor do que o Agente Zero! Quase dá pra esquecer o fato que o milico esqueceu de dar a única arma que pode realmente ferir um cara com esqueleto de adamantium pro outro cara cujo poder é atirar bem. Mas acho que isso faria sentido demais.

Sejamos justos: buracos de roteiro e falhas de lógica existem em 99% dos grandes filmes do gênero, mesmo os considerados bons. Isso se torna um ponto negativo quando são tão numerosos e tão óbvios quanto neste caso.

Mas o filme tem lá umas poucas virtudes. Liev Schreiber está ótimo como Victor Creed, mesmo que o personagem em si não seja lá tão interessante. Se fosse outro ator (como, sei lá, Tyler Mane), poderia ficar completamente sem graça. Taylor Kitsch também foi bem escalado, como Gambit, mas, com tanto mutante dividindo a tela, simplesmente não deu pra deixar uma impressão duradoura. Aliás, isso é verdade sobre o filme inteiro: a produção prefere quantidade sobre qualidade, e no final das contas, tudo fica bastante esquecível.

Por sua vez, Ryan Reynolds diverte em sua breve participação como Wade Wilson, o futuro Deadpool, ainda que tenha trazido infelizes lembranças de seu personagem em Blade Trinity. O pecado é o que vem depois. Pois é, o Arma XI, também conhecido como Barakapool, o mutante cujo poder mais impressionante, entre os muitos que possui, é ser capaz de dobrar os braços com malditas espadas de adamantium dentro deles.

Qualquer semelhança...

Qualquer semelhança...

Pessoalmente, não tenho como princípio uma aversão contra alterações ao material original. Achei a idéia de fazer da Fênix uma personalidade alternativa em X3 uma boa saída da complicada saga espacial com os Shi’ar (apesar de eu gostar Lilandra e sua trupe), e uma das poucas mudanças que funcionaram ali. Mas não é nem necessário dizer como é estúpido fazer do Deadpool, o merc with a mouth (ou “mercenário tagarela”), um zumbi que não fala uma palavra. É um contra-senso total.

A primeira pergunta que fiz ao sair da sessão foi: “então, é melhor ou pior que X-Men 3?” A resposta do pessoal que viu o filme comigo foi quase unânime, dizendo que nada era pior do que X-Men 3. Mas quanto mais considero cada um deles, mais eu me lembro que, ainda que os pecados do último filme da trilogia X tivessem sido muitos, alguns deles imperdoáveis, pelo menos o longa de Brett Ratner tinha algo a dizer. As tramas da cura mutante e da Fênix, em filmes separados, ficariam ótimas. Wolverine talvez sofra de um pecado ainda maior: ser tão medíocre a ponto de ser entediante e esquecível.

Em tempo: não sei por que me sujeitei a isso, mas depois assisti à workprint do filme que vazou. Ao contrário do que os engravatados da Fox tentaram nos dizer, não existe diferença NENHUMA na duração. Não existem 10 minutos a mais na versão final (desculpa que muitos, como eu, usaram para não ver a workprint). E mesmo que existissem não seriam nem um pouco suficientes para salvar esse filme. Essa mentira deslavada, junto com as cenas pós-créditos alternativas (diferentes cenas em diferentes cinemas), é o tipo de tratamento que faz da Fox o estúdio mais odiado por fãs (e alguns diretores) do gênero.

O verão de Hollywood, infelizmente, começou mal.

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4 Responses to RESENHA: X-Men Origens: Wolverine

  1. helio garcia disse:

    olha,cara,ninguem fala mal do logan perto de mim ele e o personagem que eu mais gosto.mas eu admito que nao sou ligado a gibis e cinema em demasia,me parece que vc se expressou muito bem em relaçao ao filme,muito obrigado por compartilhar conosco a sua visao mais apurada dos fatos,um abraço amigo.

  2. lincenegra disse:

    olha cara se vc tem fantasia sexual com o hulk isso é ploblema seu,mas eu e milhoes de fãs do wolverine não admitimos que vc fale mal dele…

  3. Wolverine é do tipo sem frescura,mas a história que foi mal contada, por isso prefiro que não criem filmes que destruam a imagem já desgastada dos personagens,um exemplo disso é que no terceiro filme de homem aranha o transformaram num emo.

  4. Maria Granja disse:

    Qualquer filme fica chato tendo um péssimo enredo.

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