Resenha: The King of Kong: A Fistful of Quarters

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No começo do documentário The King of Kong: A Fistful of Quarters, somos apresentados a Billy Mitchell. Com um mullet inacreditável, logo vemos que Billy tem um ego bem inflado, daqueles babacas que falam de si na terceira pessoa. Billy também é recordista mundial de jogos de arcade clássicos como Pac-Man. Considerado o jogador de videogames do século, seu recorde em Donkey Kong foi estabelecido em 1982, e manteve-se por mais de vinte anos sem ser batido.

Até aparecer Steve Wiebe.

Steve é a antítese de Billy: pai e marido dedicado, um cara bastante simpático e humilde, mas azarado na vida. Depois de perder o emprego no mesmo dia em que comprou sua casa, apenas mais uma de muitas derrotas que enfrentou na vida, Steve decidiu provar a si mesmo que poderia ser o melhor do mundo em alguma coisa. Qualquer coisa. Foi quando encontrou certo conforto em sua velha máquina de Donkey Kong (“ali eu tenho controle”, diz Steve), e acabou protagonizando uma verdadeira história de Davi e Golias, ao decidir derrubar o recorde de Billy para finalmente se sentir um campeão.

O documentário de Seth Gordon não tenta manter nenhuma sombra de imparcialidade, e claramente somos induzidos a torcer para Steve. Mas é exatamente esse aspecto que torna o filme tão divertido: The King of Kong se revela uma história de superação tão edificante (pra usar um termo ligeiramente marketeiro) e empolgante quanto Rocky e tão incrivelmente “anos 80” como Karatê Kid (com músicas de ambos filmes na trilha sonora). É um verdadeiro documentário-pipoca.

É aqui que são colocados em dúvida os méritos de King of Kong. Apesar do filme ser divertidíssimo e apresentar personagens incrivelmente carismáticos, a menor das pesquisas sobre o assunto revela que o filme manipulou fatos e imagens de uma forma que deixaria até Michael Moore ruborizado. Como um documentário, é até meio irresponsável e repreensível.

Billy Mitchell: aprendiz de Darth Vader ou um cara incompreendido?

Billy Mitchell: aprendiz de Darth Vader ou um cara incompreendido?

Com certeza, King of Kong poderia ter sido mais justo, mas provavelmente não teria sido tão envolvente, porque apesar de seu maniqueísmo, Gordon realmente consegue fazer com que você se importe com Steve, enquanto faz de Billy o melhor tipo de vilão: o que você adora odiar. Mitchell pode não merecer essa imagem, que o filme faz dele, mas, queira ou não, ele se encaixa muito bem nela.

No fundo de tudo isso, Gordon ainda monta uma clara analogia e crítica em cima daquela necessidade que americano tem de ser o melhor, no qual o mais importante, acima de tudo, é vencer. É uma crítica rasa, mas está lá, para aqueles que querem algo mais. E esse sim, é um dos maiores méritos de King of Kong: é um filme que tem alguma coisa para todo mundo.

A propósito, King of Kong infelizmente ainda não foi lançado aqui, e nem há previsões de lançamento. No máximo vai acabar passando no Festival do Rio e na Mostra de Cinema de São Paulo, só para ser esquecido depois, até aparecer de surpresa no Telecine Cult ou em DVD de banca (como aconteceu com Ghost World) com algum título do tipo “…Muito Louco” ou “…do Barulho”. Pena. Merecia melhor.

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One Response to Resenha: The King of Kong: A Fistful of Quarters

  1. Pô… eu tô doido pra ver isso, mas não achei nenhum lugar pra baixar além dos torrents…

    A busca continua,então… 🙂

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