Retrospectiva Duro de Matar (parte 3 de 3)

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Voltando de vez do carnaval, pra terminar a retrospectiva!

Apesar de não ser o melhor exemplar da série, Duro de Matar 4.0 fez relativo sucesso nas bilheterias e, surpreendentemente, de crítica. Não demorou muito depois do lançamento do filme para começarem a falar de um Duro de Matar 5. O próprio conceito de um quinto filme já difícil de engolir, porque a série já desandou bastante na versão 4.0. E depois ainda entra a questão principal. Depois de um prédio, um aeroporto, Nova York e os Estados Unidos inteiro, que diabos os vilões podem ameaçar agora? O mundo? Veja que os alvos são sempre um maior do que o outro. É exatamente essa mentalidade de “como podemos fazer esse filme maior do que os outros?” que eles têm que pode acabar tornando a série uma paródia de si mesma (bem parecido com o que aconteceu com James Bond em Um Novo Dia Para Morrer).

De certa forma, é irônico que um jogo baseado nos filmes seja melhor do que o que os próprios cineastas parecem ter em mente. Irônico porque Duro de Matar nunca foi uma franquia de muito sucesso nos games. O jogo mais memorável foi Die Hard Trilogy, para Playstation. Era basicamente uma pechincha do tipo “três jogos em um”: um jogo de tiro em terceira pessoa representando o primeiro filme, um shooter on rails (tipo Virtua Cop) para o segundo, e um jogo de “corrida contra o tempo” de carro baseado no terceiro. Die Hard Trilogy era bom e fez grana o bastante para garantir uma continuação, mostrando que bom-senso nunca impediu os engravatados de explorarem uma franquia pela grana. Que diabos fariam, visto que já haviam coberto os três filmes?

O resultado acabou sendo melhor do que esperado, na verdade: Die Hard Trilogy 2, com o subtítulo Viva Las Vegas, era outra trilogia de games em um disco, basicamente os mesmos três jogos. O interessante aqui é que a história é apenas uma entre os três joguinhos. Melhor ainda, era uma totalmente nova. Por isso, por muito tempo foi considerado como o quarto filme que nós nunca teríamos. Realmente, eu preferia um filme baseado neste jogo do que Duro de Matar 4.0.

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A história mostra McClane, mais derrotado na vida do que já estava em Duro de Matar: A Vingança, indo para Las Vegas a convite de um amigo para uma festa em homenagem à inauguração de uma prisão de segurança máxima. No meio da festa, os prisioneiros fogem, reféns são tomados, Las Vegas vira caos e, claro, bundas são chutadas. Do jeito que estava, a “história” era bem rasa e servia apenas pra ligar uma fase à outra. Mas a sinopse, o conceito básico, é bem bacana.

Mesmo assim, Trilogy 2, como um jogo, não é dos melhores. Como eu disse antes, Duro de Matar não tem muitos exemplares de games bons. O primeiro de todos, aliás, é tão ruim, que mereceu a dúbia honra de ter um episódio do Angry Video Game Nerd dedicado a ele.

Já em 2002 foram lançados dois jogos de tiro em primeira pessoa baseados na franquia: Die Hard: Nakatomi Plaza, jogo de PC que segue o primeiro filme, e Die Hard Vendetta, inicialmente exclusivo para Gamecube e depois lançados nos demais consoles da época, uma continuação da saga de John McClane, com sua filha Lucy na força policial, e o filho de Hans Gruber atrás de vingança (de novo, cara?).

Ambos tiveram uma recepção fria, e não fizeram o bastante para se destacar em uma época em que muitos jogos do gênero faziam sucesso. Vendetta chegou a receber alguns elogios, exatamente por suas tentativas de inovação (como o esquema de pegar inimigos como reféns), mas não foi o bastante para tirar o jogo do lugar comum.

Acredito que seja possível de se fazer um bom jogo baseado na série. Mas para se conseguir algo que faça jus ao clássico primeiro filme, é necessário que o próprio seja, se não revolucionário, algo que seja material de “jogo do ano”. E é possível. É só ver Chronicles of Riddick: Escape From Butcher Bay.

É inegável que Duro de Matar teve impacto no cinema. Até hoje é considerado um dos melhores filmes do gênero, sempre figurando no topo de listas, e um clássico em todos os sentidos.

Pra fechar a retrô de vez, alguns factóides e trivias bacanas sobre a série:

-Acredite se quiser, mas McClane poderia ter sido mais badass do que já é: um dos muitos atores considerados para o papel foi Richard Dean Anderson, o Sr. Mullet, o McGyver. McClane nem precisaria de uma metralhadora (ho! ho! ho!). Era só ele pegar um clipe de papel e a coisa acabava ali.

-Outros atores considerados foram Richard Gere, Don Johnson (de Miami Vice) e os clássicos brucutus Schwarza e Sly.

Newton da Matta, a voz brasileira do Bruce Willis, criou um dos melhores personagens de sua carreira (tal como o próprio Willis). Só tem um problema: em nenhum dos filmes (mesmo o quarto, que infelizmente não conta com o falecido dublador) a famosa frase de McClane foi traduzida. Ao invés de um “yipee-ki-yay, filho da mãe!” ou algo que o valha, tivemos que ouvir:

  • “Experimenta, desgraçado.” – Duro de Matar
  • “Feliz pouso pra você, canalha!” – Duro de Matar 2
  • “Agora acabou, seu bundão.” – Duro de Matar: A Vingança
  • “Vaso ruim não quebra!” – Duro de Matar 4.0

Lamentável…

-Duro de Matar: A Vingança teve um final alternativo no qual o roubo deu certo, John foi demitido e usado de bode expiatório. Ele encontra Simon e faz um joguinho de roleta russa com ele. É um final e um McClane bem mais sinistros do que estamos acostumados na série. Foi uma escolha acertada removê-lo. Dá uma olhada:

-Os roteiros de todos os filmes foram tirados de histórias que inicialmente nada tinham a ver com John McClane e Duro de Matar.

  • O primeiro, baseado no livro Nothing Lasts Forever, foi escrito inicialmente como uma continuação de Comando Para Matar, e depois alterado para o que conhecemos hoje.
  • Duro de Matar 2 é baseado no livro 58 Minutes, que não tem nada a ver com Nothing Lasts Forever ou Duro de Matar.
  • Duro de Matar: A Vingança é baseado em um roteiro de Jonathan Hensleigh chamado Simon Says, alterando apenas nomes e referências aos outros filmes. A primeira metade da história foi mantida intacta, até o roubo acontecer.
  • Já o último filme foi baseado em um roteiro chamado WW3.com, por sua vez baseado em um artigo da Wired. O roteiro mantinha os ataques de terrorismo cibernético e a “queima de estoque” do filme, mudando nomes e certos aspectos do roteiro pra colocá-lo dentro da série.

– A dublê de cantora e atriz e lôra burra profissional Jessica Simpson fez teste para o papel da filha de McClane no quarto filme. Ainda bem que o papel ficou com Mary Elizabeth Winstead. Falando nela…

Sim, eu só queria MAIS uma desculpa...

Sim, eu só queria MAIS uma desculpa...

A retrospectiva Duro de Matar fica por aqui. Não sei pra quando vai ficar a próxima retrô.De qualquer jeito, é só dar uma sugestão nos comentários.

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