Retrospectiva Duro de Matar (parte 2 de 3)

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Nessa segunda parte da retrospectiva, vamos cobrir os dois últimos filmes da série, Duro de Matar: A Vingança e Duro de Matar 4.0.

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Duro de Matar: A Vingança estreou em 1995 prometendo novos rumos para a série: não se passa no Natal ou tem Holly como refém. McClane é agora um beberrão divorciado que voltou a trabalhar na polícia nova-iorquina. E é Nova York que é ameaçada dessa vez. A cidade inteira! O filme deixa de lado os elementos mais claustrofóbicos dos dois primeiros e segue uma ação em larga escala.

Foi uma melhora expressiva em relação a Duro de Matar 2. A decisão de fugir da fórmula criada pelo original (o filme não se passa mais no Natal nem envolve a mulher de McClane) e consolidada pelo segundo não poderia ter sido mais acertada, mas a idéia de Simon, interpretado por Jeremy Irons, ser o irmão de Hans Gruber em busca de vingança não chega a ter tanto sucesso.

Ainda que o início do filme mantenha bem o mistério de quem exatamente é Simon e porque ele quer tanto matar McClane, e do elemento de vingança ser original dentro da série, a motivação de Simon para a vingança parece meio fraca, ficando em um meio-termo representado pelo diálogo do vilão “Só porque eu não gostava do meu irmão não quer dizer que eu não me importe com a morte dele”. Ou algo que o valha.

Essa indecisão enfraquece um pouco o personagem de Simon, mas não o filme em geral. Com uma cidade inteira para “brincar”, o filme mantém um ritmo frenético, como uma boa cena de perseguição de duas horas. E dessa vez, a ameaça causada pelo vilão é bem conduzida e não sofre de problemas básicos de roteiro como em Duro de Matar 2.

Mas uma das maiores qualidades do filme reside em Samuel L. Jackson, que interpreta o sidekick da vez Zeus Carver. A atitude racista do personagem é bem exagerada, e poderia fazer dele completamente antipático. Mas a persona cool de Jackson acaba fazendo de Zeus um cara tão engraçado e esperto quanto McClane, e isso o torna um sucessor digno de Al Powell. Sem falar que a química entre Bruce Willis e Jackson, que passam a maior parte do filme juntos, é ótima.

Ainda que não tenha muito desenvolvimento de personagens como no primeiro, Duro de Matar: A Vingança se apóia no fator cool e na diversão pipoca e fecha a trilogia com chave de ouro, entrando para o seleto clube de bons terceiros filmes. Apesar de boa parte da crítica discordar (o filme tem apenas 47% de aprovação no Rotten Tomatoes), o público gostou: o filme teve a segunda maior bilheteria mundial de 1995, ficando atrás apenas de Toy Story.

Com isso, a trilogia Duro de Matar se consolidou como uma das melhores, incluindo um clássico, um bom e um ótimo filme. Mas Duro de Matar não pára apenas em uma trilogia, se tornando oficialmente uma série de filmes com o lançamento de Duro de Matar 4.0, que depois de muitos percalços de pré-produção, finalmente viu a luz do dia em uma versão mais comportada, já que foi lançado com censura PG-13, ao invés da costumeira R, usada em todos os filmes da série até aqui. Isso faz uma diferença grande, pois com PG-13 McClane não pôde dizer o “motherfucker” de sua frase clássica “yipee-ki-yay”.

Uh-oh...

Uh-oh...

Isso já não era bom sinal, e o fato de que o diretor era Len Wiseman, do entediante Anjos da Noite, não inspirou muita confiança. Mas o conceito não era de todo ruim: colocar John McClane contra “terroristas tecnológicos” que ameaçam a infra-estrutura dos EU e A, que é totalmente controlada por computadores. Uma boa forma de mostrar que McClane realmente envelheceu, de que é um tira à moda antiga em um mundo moderno (e que não há nada de errado com isso).

O filme é bem inconsistente em sua qualidade. Os aliados de McClane são bem representados (principalmente Justin Long, que interpreta o hacker Matt Farrell, o sidekick da vez), mas o mesmo não pode se dizer dos vilões. Em momento algum o intérprete de Thomas Gabriel, Tim Olyphant, consegue parecer uma ameaça real para McClane. O plano inicial é bem executado e bacana de se ver, mas MAIS uma vez se revela como um roubo milionário, apoiado no rapto de uma familiar de McClane. Dessa vez, sua filha Lucy, interpretada por Mary Elizabeth Winstead.

Sim, eu só queria uma desculpa pra colocar essa foto.

Sim, eu só queria uma desculpa pra colocar essa foto.

A ação é legal em algumas cenas, mas é quando tentam superar os filmes anteriores que a coisa deixa de ser Duro de Matar e começa a parecer um filme do Michael Bay. Você sabe do que estou falando: a cena do helicóptero e a do jato. Mas sejamos justos: a primeira é ridícula sim, mas ao menos leva ao melhor diálogo do filme (e algo totalmente McClane):

Matt: “Você matou o helicóptero com um carro!”

McClane: “Eu estava sem balas.”

Badass, eu tenho que admitir, mas qual é a desculpa para colocar John McClane SURFANDO UM JATO F-35?! Tudo bem que todos os filmes da série têm uma ou outra cena bem exagerada, mas nada que faça de John McClane um super-herói.

Não, obrigado.

Não, obrigado.

Duro de Matar 4.0 tentou pegar carona no sucesso de Rocky Balboa, que iniciou o revival de personagens clássicos dos anos 80, mas não conseguiu fazer metade do que o filme de Stallone fez pelo garanhão italiano. Acabou sendo um filme bem esquecível, disputando pau-a-pau com Duro de Matar 2 pelo dúbio posto de pior filme da série.

Vou ficando por aqui, mas como dá pra ver no título, a retrospectiva ainda não acabou. Na terceira e última parte, vou falar do (possível) futuro da série, dos jogos baseados nela, e outras curiosidades e trivialidades.

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